domingo, 4 de março de 2012

Série 1600



Por Diego Silva
Colaboração de Luis Fernando da Silva (Luisinho)
Fotos: Acervo Pessoal

Caros leitores, primeiramente, desejo um excelente domingo para todos vocês que nos acompanham e que estão por aqui em mais um dia. Hoje, falaremos da frota 1600, que pouco a pouco, também está nos deixando. Sua passagem pelo Rio de Janeiro, o retorno à São Paulo, o acidente de Itaquera, o retorno, a modernização e o caminho para o fim. Confiram em mais uma matéria especial sobre a história das frotas:

A nova composição, em São Paulo, pronta para seguir ao RJ
Informativo da RFFSA, de 1978 (clique na imagem para visualizar melhor)
No final da década de 1970 , após a aquisição da frota 401 (atual 1400 da CPTM), a RFFSA realizou uma aquisição para os subúrbios do Rio de Janeiro, juntamente à Mafersa. A compra de 20 trens em aço inox, no mesmo padrão das unidades adquiridas para São Paulo, foi realizada para tentar suprir uma grande fatia da demanda, que na época, era muito grande para os poucos trens de aço carbono que circulavam por lá. Chegava então, ao Rio de Janeiro, a frota 600 da RFFSA.

Estação Duque de Caxias. Notem à esquerda, o budd 431

431 da RFSSA, correndo pelos trilhos da zona leste de SP (Acervo Thomas Correa)
Essa aquisição pela RFFSA, foi com o intuito de atender o trecho Barão de Mauá x Duque de Caxias, junto com a promessa de reduzir os intervalos para dez minutos (isso, já em 1977). Porém, esses trens não foram aprovados no Rio de Janeiro, provavelmente por sua fragilidade nos truques, que trincavam muito por conta da irregularidade da via permanente da velha Leopoldina. Por decisão da RFFSA, esses trens foram transferidos para São Paulo, onde se juntaram aos trens da série 431 (que era o mesmo trem, porém, numerado diferentemente dos 600, pois em São Paulo, a partir da década de 70, a administração dos subúrbios das linhas da Central foram transferidas pela RFFSA para a EFSJ, por esta estar mais próxima das linhas do que a administração central, que se encontrava no Rio de Janeiro).

Com a entrega do planejamento, operação e manutenção das linhas de subúrbio da Central em São Paulo, para a EFSJ (Estrada de Ferro Santos a Jundiaí), a última começou a melhoria do sistema com a inclusão de mais trens, já que até então circulavam trens das séries 400, alguns da série 200 e os mais lendários série 100 (que ainda serão tema de outras matérias futuras). A compra, foi realizada junto à Mafersa, em um projeto padronizado e nacionalizado que acabou numerado como série 431, por ser a continuação da série 401.
Unidade estacionada em Guaianazes (estação antiga)
Prestando serviços nas linhas tronco e variante (que passariam a ser as linhas E e F, posteriormente, 11-Coral e 12-Safira), a frota 431 ofereceu um suporte fundamental, auxiliando os trens da série 401 e demais composições que corriam por ali. Versáteis, as composições eram confortáveis e contavam com um amplo espaço, devido ao comprimento dos carros. Por ser um produto 'nacional' (os trens foram construídos na Mafersa, em São Paulo), sua manutenção era de fácil resolução, contando com peças para reposição ao alcance. Em fevereiro de 1987, um acidente marcou sua trajetória nos trilhos de São Paulo: o tão famoso acidente de Itaquera. Até hoje, muitos ferroviários e usuários mais antigos dos sistemas de São Paulo comentam sobre aquele incidente, pois causou a morte de muitas pessoas.

Reportagem da Revista Veja, em 25.02.1987 (clique na imagem para visualizar melhor)
Reportagem da Revista Veja, em 25.02.1987 (clique na imagem para visualizar melhor)
Reportagem da Revista Veja, em 25.02.1987 (clique na imagem para visualizar melhor)
O acidente de Itaquera foi um dos piores já ocorridos em São Paulo, com mais de uma centena de mortos. Uma das composições que participou do acidente foi reformada, vindo a ser a única da frota 431 com a frente modificada. O famoso 'TANG' (como é conhecido pelos ferroviários), teve sua máscara modificada, ficando similar aos trens da frota 4400. A unidade TANG pode ser vista até os dias de hoje na CPTM, com os prefixos 1605-1606.

TANG na fase CBTU, próximo da estação Luz
TANG em Paranapiacaba (Crédito ao autor)
TANG, atualmente (foto de Diogo Vianna)
Voltando a falar dos 1600, ao passarem da CBTU para a CPTM, os trens já estavam bastante depredados, com a máscara facial bastante amassada, por conta de inúmeras pedradas. Os anos passaram, a frota foi ficando cada vez mais destruída, até que a CPTM resolveu enviar algumas poucas unidades para revisão geral e modernização. Com isso, os trens foram recuperados e continuam rodando até os dias atuais, mesmo em número bastante reduzido.

431 na fase CBTU, próximo de Calmon Viana
1600 saindo de Roosevelt, com destino a Mogi das Cruzes ou Calmon Viana
Unidade 1611
Em meados de 2009, a CPTM enviou quatro unidades para modernização e reforma. Foram elas: 1601/1612 (padrão metropolitano), 1602/1613 (padrão vermelho), 1611 (padrão vermelho) e 1605/1606 (TANG, padrão vermelho). Em 2010, recebeu a última unidade modernizada (1603/1604), que ganhou o padrão 'fase II', com uma janela a mais na máscara. Essas unidades citadas são as únicas que ainda estão em operação, de toda a aquisição realizada. As demais estão sucateadas ou sequer existem mais.


Pouco a pouco, toda essa frota está desaparecendo. Após tantos anos de serviços prestados, a tecnologia vem chegando e junto com ela, o fim da frota 1600. Algo que poucos sabem: a CPTM tem contrato vigente para reforma de TODAS as unidades que ainda fazem parte do ativo circulante. As composições que estão baixadas ao lado do pátio da Lapa e da Luz estão aguardando modernização, que pelo jeito, não irá acontecer. No pátio da IESA, em Araraquara, estão duas unidades e outras duas da série 1400 que a CPTM não autorizou retornarem, após a modernização. Ou seja, era para grande parte da frota Budd ainda estar circulando em São Paulo, pois a empresa autorizou a modernização mas não quis receber os trens posteriormente.

20 comentários:

  1. De fato tem alguns 1600 no patio da Lapa praticamente abandonados e esse trem se continua-se rodando seria perfeito para a Extenção da Linha 8 Diamante substituindo os Toshibas mas como a CPTM deverá acabar ou não com essa extenção e torna-la linha direta então não se sabe ao certo o que irá acontecer só o "futuro" irá dizer.

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    1. Até mesmo na extensão da Linha 7 eles seriam úteis, mas a CPTM não quis... Paciência.

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  2. gostei D+ dessa postagem do 1600!!! diego, eu queria que vc tbm tivesse falado dos 1600 que sairam da linha 12 com 6 carros, e que forom pra extenção da L7 com 4 carros, unidades 1601 1612, 1602 1613, ou os 1400, 1403 1404, 1405, 1414... tá vlw

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    1. Obrigado, Gabriel. Eu falarei qualquer hora dessas sobre as mudanças de frota. Será tema de alguma matéria futura.

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  3. Otima matéria Diego ;D
    Nem parece que ele operou na Linha 10 (eu acho). Sempre vejo um TANG indo pro Brás quando estou em Tatuapé. Eles já operaram em outras linha alem das linha 11 e 12 ?

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    1. Obrigado Vítor. Os trens série 1600 devem ter operado na Linha 10 em algum tempo remoto. Não tenho registros dessa época. Além das linhas 11 e 12, eles ainda operam na extensão da Linha 7-Rubi.

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    2. Obrigado pelas informações Diego ;D Não esqueçam, próximo domingo trem serie 1700 ;D

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  4. Outra parte da historia conhecida ou lembrada por poucos,foi o fato deste trem ter operado com 9 carros na composição do embrião do expresso leste,que partia da estação Barra Funda operou com poucas paradas até guaianases..Barra funda,Brás,Tatuapé, Artur Alvim e Guaianases. entre os horarios das 5 da manhã,as 9 e das 16 as 20 horas entre 1997 e 1998.

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    1. Bem lembrado, Denis! São alguns detalhes que passam despercebidos...

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  5. Diego você colocou dados técnicos(potência e etc...) na reportagem do série 1100, quanto ao 1400/1600 tem a disposição esses dados? Abraços

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    1. Não tenho esses dados, Diego Sousa, por isso não incluí na postagem.

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  6. Legal Diego Silva gostei de reportagem, parece que foi uma volta ao passado quando eu vi a reportagem do acidente de Itaquera , Parabens

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  7. Diego alguns dados de potência e dados mais técnicos das séries 1600 (praticamente iguais na série 1400).
    Dados dele original.

    Esforço máximo de tração: 15.304 kg (780 RPM)
    Motor: 5 GE-754-A2 (460 HP de potência unihorária cada motor)com velocidade máxima de 2500 RPM
    Raio minimo de inscrição em curvas: 76m
    Peso total: 83.800 tons.
    Freios: Ar comprimido - WABCO, manual
    Comprimento Total: 25.908 mm
    Altura do carro (sem os pantógrafos, do boleto ao teto): 4.172 mm
    Altura do boleto ao chassi: 1.082 mm
    Alimentação auxiliar: Dínamo - Gerador 5-GMG 172-A2

    Precisando mais dá um toque ehhe
    Abraços

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    1. Obrigado Luisinho. Sempre contribuindo de forma essencial conosco =)

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  8. Os 1600 às vezes fazem falta no trecho Guaianazes-Estudantes. De manhã, ajudariam, têm carros maiores. Padronizaram para o 4400, paciência, estes são os verdadeiros guerreiros atuais do trecho.

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    1. Cheguei a realizar duas viagens no trecho B da Linha 11-Coral, à bordo de trens série 1600. De fato, ajudavam bastante, pois em uma das viagens, peguei em horário de pico.

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  9. Atualmente várias composições e carros do 1400/1600 estão sendo cortados no patio da lapa bem ao lado da linha 8, ontem estava sendo cortado um 1400 que estava batido olhando no sentido Piqueri-Lapa no lado esquerdo, já haviam cortado um carro, faltavam dois, provavalmente ja devem estar cortando os outros dois agora...

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